
Um delegado de Goiás tornou-se o primeiro paciente do estado a receber a polilaminina, substância estudada como possível aliada na regeneração da medula espinhal. A intervenção ocorreu no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), em Goiânia (GO). Após o procedimento, ele permanece em acompanhamento multidisciplinar, mantendo terapias complementares já adotadas anteriormente.
A iniciativa integra uma linha de pesquisa que avalia a segurança e o potencial regenerativo do composto em casos de lesão medular aguda. O tema ganhou repercussão nacional nos últimos dias, impulsionado por relatos e vídeos que mostram evolução funcional em pacientes submetidos ao método.
Estudo Clínico
A pesquisa é coordenada pela cientista Tatiana Sampaio, no Rio de Janeiro (RJ), e ainda se encontra em fase inicial. O delegado goiano não faz parte do protocolo oficial, mas obteve autorização específica destinada a pessoas com quadros graves e ausência de alternativas terapêuticas disponíveis.
O diretor técnico assistencial do Crer, Alan Anderson Fernandes Oliveira, informou na segunda-feira (23/02) que a cirurgia transcorreu sem intercorrências. Segundo ele, a polilaminina é recriada em laboratório a partir da laminina, proteína naturalmente presente no organismo humano, especialmente durante o desenvolvimento embrionário.
A inovação consiste na formação de uma estrutura que atua como suporte para o crescimento neural. Em situações de trauma, forma-se um espaço entre as extremidades rompidas dos neurônios. A proposta é favorecer a reconexão dos axônios, possibilitando restabelecimento parcial da comunicação entre cérebro e membros.
Fase Experimental
Conforme o especialista, os resultados podem variar entre respostas discretas e avanços mais expressivos. Ele destaca que o acompanhamento pós-operatório é determinante para a evolução clínica. A unidade de Goiânia (GO) possui histórico de mais de 12 anos no atendimento a pacientes com lesão medular e conta com equipe formada por múltiplas especialidades.
Sem o novo composto, terapias convencionais costumam gerar recuperação estimada entre 10% e 15%. Estudos preliminares apontam possibilidade de índices superiores, embora os dados ainda sejam limitados. Atualmente, a pesquisa está na fase 1, voltada à avaliação de segurança.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou, em janeiro de 2026, a continuidade dos ensaios clínicos em humanos. Até o momento, apenas oito participantes integraram os testes iniciais, com níveis distintos de evolução.
Avaliação Médica
Especialistas ressaltam que casos individuais não comprovam eficácia. Parte dos pacientes com lesão medular aguda pode apresentar melhora espontânea, dependendo da extensão do trauma e da resposta orgânica. Não há comprovação de benefício em quadros crônicos.
O delegado compartilha nas redes sociais sua rotina de exercícios, incluindo musculação com halteres de 20 quilos, como forma de incentivo a outras pessoas em reabilitação. Ele relata percepção de avanço após a aplicação, embora a ciência ainda não estabeleça relação conclusiva entre o tratamento e a melhora observada.
Pesquisadores destacam que, se os resultados forem confirmados nas próximas etapas, a disponibilização ampla poderá demandar alguns anos. Até lá, a recomendação é acompanhar os estudos com expectativa responsável e rigor científico.
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