
A Casa-Museu Bernardo Élis, em Goiânia (GO), passa por um amplo processo de restauro, com conclusão prevista para maio de 2026. A iniciativa reacende o interesse pela trajetória do único escritor goiano a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL) e reforça a relevância de seu legado para a cultura brasileira.
Nascido em 15/11/1915, em Corumbá de Goiás (GO), e falecido na mesma cidade em 30/11/1997, Bernardo Élis construiu uma carreira marcada pelo compromisso com a identidade regional. Advogado, professor, poeta, contista e romancista, tornou-se um dos maiores representantes da literatura regionalista do século XX, elevando o nome de Goiás ao cenário nacional.
Sertão retratado
Reconhecido por retratar com profundidade o sertão goiano, o autor abordou conflitos políticos no interior, a vida no campo e as desigualdades sociais do Brasil Central. Sua escrita combina linguagem regional expressiva, realismo marcante e forte crítica social, características que consolidaram sua obra como referência literária.
Entre seus trabalhos mais emblemáticos estão Ermos e Gerais, coletânea de contos que lhe garantiu projeção nacional; O Tronco, romance inspirado em disputas políticas no interior goiano e considerado sua obra-prima — posteriormente adaptado para o cinema em 1999 —; e Veranico de Janeiro, livro premiado com o Jabuti e amplamente reconhecido pela crítica especializada.
Atuação cultural
Ao longo da trajetória, acumulou distinções importantes, como o Prêmio Jabuti e o Prêmio José Lins do Rego. Também teve participação destacada na vida cultural do Estado, integrando congressos, fundando entidades literárias e incentivando a produção artística no Centro-Oeste, fortalecendo o cenário cultural regional.
Em 23/10/1975, foi eleito para a Cadeira 1 da Academia Brasileira de Letras, tornando-se o primeiro — e até hoje único — goiano a integrar a instituição. Recebido por Aurélio Buarque de Holanda Ferreira em dezembro daquele ano, consolidou sua posição entre os grandes nomes da literatura nacional. Paralelamente, atuou como professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia (GO), e da Universidade Católica de Goiás, além de colaborar em projetos culturais em âmbito estadual e federal.
Memória preservada
A residência onde viveu, construída em 1974 no Jardim América, em Goiânia (GO), abriga atualmente o Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis (ICEBE). O imóvel guarda um acervo expressivo, incluindo o fardão da ABL, objetos pessoais, obras de arte e uma biblioteca com cerca de seis mil volumes.
O restauro, iniciado em dezembro de 2025, contempla recuperação estrutural, reforço do telhado, tratamento do madeiramento, restauração da fachada e melhorias elétricas, sempre respeitando as características originais da construção. Após a conclusão das obras, a proposta é ampliar as visitas guiadas gratuitas e promover saraus, debates e atividades culturais, mantendo viva a memória de um dos maiores escritores da história de Goiás.



